São Paulo vai à Argentina com pressão de manter vivo sonho de seu presidente

13 mar 2013

Danilo Lavieri
Do UOL, em São Paulo

O São Paulo entra em campo nesta quinta-feira na Argentina com uma pressão extra. Além de precisar vencer o Arsenal para manter o time com boas chances de classificação e não ver os milhões de torcedores decepcionados, os atletas têm de corresponder para deixar vivo o sonho de seu chefe. O presidente do clube, Juvenal Juvêncio, tem como grande meta de sua gestão a conquista da Copa Libertadores e a vaga no Mundial de Clubes. E essa é a última chance que ele tem para isso.

O mandatário considera que deu tudo o que o técnico Ney Franco precisava para conseguir o título. Além de contratar Paulo Henrique Ganso com tempo para vê-lo em forma física na competição sul-americana, o presidente trouxe Lúcio, manteve Rhodolfo, contratou Wallyson e Aloísio, renovou com Tolói e Cañete e apostou em Negueba.

No poder desde 2006, o cartola tem mandato até abril de 2014 e, mesmo que os tricolores sejam campeões da América no próximo ano, não será ele o presidente em exercício. Isso porque o estatuto do clube não permite uma nova reeleição de Juvenal.

Na sua última vitória nas urnas, a oposição já se movimentou bastante tentando impugnar o pleito, chamando a atitude de golpe. Tudo porque Juvenal já havia sido reeleito em 2008 pela segunda vez, o máximo que o estatuto permite. Como no meio de sua gestão houve uma mudança no tempo de mandato, o presidente alegou que, em 2011, era a primeira vez que ele concorria com as novas regras.

Política à parte, todos os jogadores e a comissão técnica sabem do grande desejo de Juvenal. O presidente faz questão de acompanhar a delegação nas partidas e fica de olho, inclusive, no papo do grupo dentro do vestiário. É normal o site oficial do São Paulo divulgar fotos do dirigente conversando com os atletas momentos antes da bola rolar.

Juvenal ainda é conhecido por ter hábitos de xeques árabes. Quando o atleta cai no gosto do presidente, é comum que ele receba prêmios. Fabão e Souza, por exemplo, ganharam até cavalos como “lembrancinhas” em 2006. Isso sem contar o tradicional “bicho-molhado”, que acontece quando os atletas recebem o prêmio pela vitória em dinheiro, dentro do vestiário, direto das mãos dele.

Como se não bastasse a pressão dos milhões de torcedores e de Juvenal Juvêncio, está também em jogo uma longa estatística. Desde 1987 o São Paulo não cai ainda na primeira fase da Copa Libertadores.

“Pelo que li, desde 1987 o São Paulo não é eliminado na primeira fase. A gente sabe que o grupo é qualificado. Não pode ser eliminado na primeira fase. Temos que conseguir a classificação na Libertadores”, resumiu Jadson, um dos melhores atletas do grupo.

O São Paulo enfrenta o Arsenal nesta quinta-feira, às 21h30, em Avellaneda. O time brasileiro está na vice-liderança do grupo com quatro pontos, à frente do The Strongest, que tem três, e do próprio Arsenal, que tem um. O líder é o Atlético-MG, com nove.

Do UOL Esportes

Comentários