Um Judas bem Grandão

26 mar 2013

UM JUDAS BEM GRANDÃO.

Geraldo Bernardo

É época de malhar o Judas. Sugiro que façam um bem grandão, para caber todos os defeitos. Um Judas que tenha a cara de político do atraso. É uma proposta pedagógica, inclusive, devíamos fazer mais que apedrejar o boneco. Mas, apedrejar o que há de ruim, numa catarse coletiva.

Neste Judas cabe nossa repugnância à soberba, que se faz presente, por exemplo, no assédio moral. Em Sousa escuta-se nos programas de rádio denúncias constantes de casos que se enquadram como tal. Fruto de um pensamento que vem dos antigos senhores de terras e escravos. Quem sempre usufruiu do público para aumentar o privado. Através da criação de leis, do traçado de ruas e avenidas em favor da valorização de suas propriedades etc coisas e tais.

Trata-se de um “ranço político” na mentalidade social. Não é um fato isolado. A cidade erigiu, “inchou”, numa imagem que bem lembra o corpo do Judas. Cheia de molambos e coisa velha, que se refletem nos comportamentos em tempos de eleição.

Todos sabem, é cultural (uma nova e boa desculpa), qualquer roda de conversa, o assunto vem a tona, quando é tempo de eleição: “Sem comprar voto não se ganha eleição”. Seria hipocrisia desconhecer tal fato. Há um entendimento geral que para eleger-se vereador é preciso “gastar tanto”.

Tudo isto é molambo (no sentido manguebeat). Trapos de um tempo em que os coronéis mandavam. Vamos encher nosso Judas com este comportamento. Malhá-lo, queimar o mau colesterol da política. O novo pode surgir a partir de nossa modesta participação. Neste malhar de Judas, um sentimento, que podemos acabar com a velharia. Com todo respeito ao que é velho e bem curtido pelo tempo, mas, para chegar a boa velhice é preciso extirpar alguns vícios de nossa personalidade.

Um Judas enorme, para que possamos incendiá-lo, aniquilando velhas atitudes, avançar na construção da cidadania.  Queimaremos, com o Judas, o comportamento antissocial de quem sempre agrediu ao meio ambiente, pois, quem assim fez foi em proveito próprio em detrimento da coletividade. Quem sempre (dês)governou nossa cidade “deixou” que fossem cometidas barbaridades, tais como: a poluição do Rio do Peixe; ocupação e favelização de áreas urbanas; etc. Vai encher as tripas do Judas.

Atribuem ao Comandante Chávez, uma frase que diz mais ou menos assim: “Jesus foi o primeiro socialista, ao repartir o pão, enquanto, Judas foi o primeiro capitalista, que vendeu Jesus por trinta dinheiros”. É uma pedrada no Judas.

Um Judas balofo, fermentado na vaidade, engordado com discursos demagógicos. Vamos derrubá-lo do alto da soberba, após enforcá-lo com sua própria tirania. Como se dá este momento de fúria coletiva? No voto. As eleições deveriam ocorrer neste período. Quem sabe, após quarenta dias de jejum e rezas, simbolicamente ajuntando todas as tralhas para encher o Judas e depois destruí-lo ferozmente.

É preciso aniquilar o Judas, por mais traumático que seja. Como num ritual de passagem, a Páscoa segue-se ao martírio. O Judas morre, para que o novo possa vir. Só então, vem a mesa farta, o vinho e as delícias da Terra Prometida.

Observemos que o Judas morre no final da Quaresma, da simbologia dos quarenta anos dos Hebreus no deserto, dos quarenta dias de Jesus jejuando no deserto. É bom lembrar: um mandato tem quatro anos.

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