Violência não se combate mentindo: nem para menos, nem para mais

20 mar 2013

Louvável a iniciativa do deputado Raniery Paulino (PMDB) em discutir na Assembleia Legislativa da Paraíba, com base em manchetes assustadores sobre o tema. Não adianta brigar com os fatos. A violência na Paraíba ainda é uma questão que exige suor, inteligência, dinheiro e vontade da gestão pública estadual. Mas se a regra da realidade vale pra quem combate o crime também deve valer para quem o repercute.

É, obviamente, alto o número de 3.222 homicídios em dois anos na Paraíba. Mas é contraproducente e pouco ético tratar do tema omitindo dados. Contraproducente porque estimula a bandidagem e desestimula a polícia. Pouco ético porque escamoteia as verdades.

O próprio mapa da violência que serviu de base para Raniery Paulino sugerir a discussão sobre segurança na Assembleia aponta: houve decréscimo numa curva acelerada e ascendente do número de homicídios na Paraíba nos últimos anos. Descrécimo que não se via há cinco anos, pelo menos.

Ora, a curva de mortes violentas crescia desde 2007 em índices de até 24%, como registrado de 2010 para 2009. Em 2011, o crescimento já foi em ritmo menor, o que significou um impacto de uma leve freiada. E em 2012, pela primeira vez em cinco anos, houve redução. Pouca ainda, mas houve. O contrário disso seria crescimento de mais 20%, conforme apontava a tendência da última década.

O mapa, que serviu de base para Raniery pedir a sessão, mostra ainda que em 2010, quando o PMDB do deputado governava a Paraíba, foram registrados 1.234 mortes por arma de fogo. No ano passado, o número caiu para 1.207. Uma queda pequena, mas uma queda que há cinco anos não se registrava.

Ou seja, entre as pequenas quedas e o crescimento vertiginoso, fiquemos com a primeira. E mais: o próprio mapa remete aos dados de 2010, quando o PMDB de Paulino governava a Paraíba, para incluí-la no topo do macabro ranking dos homicídios no Brasil.

Assim, é preciso sempre continuar cobrando ações da segurança pública no combate à criminalidade na Paraíba. Mas a classe política, a sociedade e a imprensa não vão ajudar se mentirem, seja para menos, seja para mais.

Luís Tôrres

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